terça-feira, 20 de setembro de 2011

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- Você tem medo do escuro?

- Ás vezes.

- Não precisa ter, eu estou aqui.

- Por quanto tempo?

- Para sempre

....


Eu tive um sonho e você estava nele.

Fazia frio, mas isso não te incomodava. O vento passava furioso, porém você ficou firme como uma gárgula imponente em cima de uma catedral, apenas esperando.

Você olhou para o horizonte que adquiria um tom dourado e sorriu. Nenhuma emoção ousou se aproximar para compor o momento e triste você se virou para ir embora. E quando se virou, você estava em uma grande estação de trem. As pessoas em seus tons de cinza passavam indiferentes, com medo de que você as notasse. Elas não percebiam que você não podia vê-las, pois estava vedado por uma teia de pensamentos lúgubres.

Eu chorei, por que eu sabia que quando o trem chegasse, eu não o veria nunca mais. Desejei que o ferro dos trilhos derretesse, porque eu sentia que se você subisse naquele trem, uma parte de mim morreria naquele instante e a outra definharia, junto a toda a alegria existente no mundo.

Tentei fechar meus olhos, mas tive medo de perder a última vez que o veria. E se eu soubesse que essa seria a última vez, eu não o teria deixado sair pela porta, ao invés disso eu o abraçaria, beijaria e o chamaria de volta, aconchegando – o mais perto, rogando ao deus do infinito para que protegesse você.

Eu teria gritado o quanto eu te amo, em vez de presumir que você já sabe disso. E se eu pudesse, eu teria filmado cada sorriso, cada palavra e cada olhar seu, para poder ver e ouvir todos os dias que ainda restariam do meu tempo nesse mundo.

Eu tentei me aproximar e colocar a mão em seu rosto, tentando memorizar cada parte dele. Senti sua pele quente e então você sentiu meu toque frio e o repeliu.

Você me olhou e não me viu. Seu olhar passou direto por mim como seu eu não existisse e eu percebi que eu era invisível. Eu não fazia parte do sonho, eu não cabia ali.

E eu me perguntei, se eu tinha espaço na sua vida. Se eu não fui uma intrusa.

O Trem chegou e você embarcou.

E a dúvida surgiu.

A chuva começou a cair forte e os pingos grossos doíam em minha pele. Em poucos segundos eu estava encharcada e com frio.

Para onde você foi?

Eu acordei, olhei para o lado e não te vi. Abracei meu travesseiro sentindo frio. A água escorria pelos meus cabelos enquanto eu tentava descobrir onde você estava.

Foi só um sonho?


- Você se lembra dos seus sonhos?

- Eu não tenho sonhos.

- Nenhum?

- Não que eu me lembre.

- Pode ser que você apenas se esqueceu.

- Acho que não...

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"Eu...queria tanto encontrar Uma pessoa como eu A quem eu possa confessar alguma coisa sobre mim..."

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